domingo, 9 de agosto de 2026

Pai (n)...

 


De todas as palavras que conheço, certamente essa é uma das que mais me fere...

Eu segurei muito o choro essa semana (por diversos motivos)...

Hoje, apesar do dia lindo, do sol iluminando o céu, dos pássaros cantando, minha mandíbula enrijeceu... Eu segurei a lágrima e o pensamento, na intenção de me sentir mais forte do que eu sou... Mas não demorou e eu chorei...

Um choro muito dolorido... Machucado...

Essa foi uma semana envolta na energia dessa (merda) emoção do dia "deles"...

Durante a semana ouvi a mesma frase dos últimos anos "será que meu padrinho pode me levar na escola sexta?"... 

Sexta-feira, porta da escola, uma pequena aglomeração,  a gente sem entender até chegar perto e avistar um músico, tocando uma belíssima melodia em seu saxofone... A frase que ouvi foi: "Ah, é só o dia "deles", eu tinha esquecido"...

Engoli seco e fui resolver coisas da vida... Dentro de mim uma criança chorava pedindo perdão a essa criança que deixei ali...

Mesmo que eu rasgasse essa escrita em milhares de pedaços, colocasse fogo e jogasse as cinzas no esgoto, não representaria como eu tô aqui dentro...

Eu sinto, e senti por uma vida inteira, mas ver o padrão se repetindo me faz sentir a pior das criaturas... De não dar aquilo que não tive, e não por não querer, mas por não poder... E isso me fere ainda mais... Pq, quando foi comigo eu não tive escolha... Agora a culpa foi minha...

Não,  eu nunca vou pronunciar essa palavra sem sentir dor... NUNCA!!

Peço a Deus que essa dor morra em mim... Eu nunca vou querer perpetuar aquilo que me feriu...

Infelizmente, eu não tenho o poder de mudar o que fizeram comigo, mas eu tento, todos os dias, não repetir aquilo que me causou dor...

Li por aí que a gente se cura nos filhos...

Pena que nem todo mundo leu o mesmo livro...

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