Algumas vezes precisamos estar numa terça-feira qualquer, às 10:10 (juro que não foi proposital) pra uma emoção diferente nos tomar...
Tanto tempo de vida, tanta história vivida, tanta emoção, tantos encontros, tantas despedidas...
Tava aqui assistindo um episódio do "seriado da vez" e uma reflexão exposta me fez sentir algo profundamente...
A conversa foi sobre "a beleza das ruínas"...
Como nos construímos e destruímos constantemente e um mundo de "ruínas" (no sentido de escombros) acaba se acumulando em nós... Mas não é essa a beleza de viver? Bom, ao menos é o que "sobra" (não resisti ao trocadilho, é mais forte que eu rs)...
Eu sou um amontoado de sobras, a maior parte delas ainda estão envoltas em dores (mal resolvidas), mas elas são os pedaços que me compõem...
Eu vivi...
Passei muita coisa que não quis, vivi muita coisa que não escolhi, escolhi a quem amar (e não escolhi certo), perdi, mas... Tem pedaços de tudo isso formando quem eu sou.
Sempre soube que não queria ser uma pessoa ruim, vingativa, essas coisas, e sempre achei que fazia isso com um fundo de egoísmo (afinal o umbral não é nada agradável na minha imaginação), mas acabei entendendo que, por egoísmo ou não, era só a vontade de que as pessoas não precisasem passar pelos mesmos "caminhos" que passei... No fim era como um abraço que eu queria dar pra que não se sentissem como eu me senti enquanto "caminhava"...
Eu não pude escolher como começar a viver, e as "escolhas" que me impuseram foram como um efeito cascata, que ainda hoje faz algumas peças cairem...
Eu tentei mudar isso (depois de muitooo tempo), "escolhendo" quem eu sentia... Bom, acho que eu também não era boa de escolhas rs...
Enfim, eu tenho muitas "ruínas"... E essas ainda moldam muito do que eu sou...
Volta e meia me pego visitando um tempo distante, lembrando das minhas próprias "escolhas" e ainda sinto dor (acho que mais do que eu julgava sentir), porém, quando as fiz, eu realmente acreditei que seria diferente por ter sido o meu querer, não dos "outros"... Descobri que também construí minhas quimeras...
E o que isso tudo fez de mim? Um canteiro de coisas destruídas, inacabadas, não começadas, ou, meramente sonhadas.
Pensei sobre muitas coisas... Muitas mesmo...
Não sei como construir outras "edificações"... Por medo, excesso de decepção, de senso de auto preservação, sei lá... E volto sempre a minha última construção... Como Iandê disse e eu já citei aqui... "Voltamos sempre para a memória mais recente (menos antiga), onde vivemos algo bom, o famoso porto seguro... Não por conta de quem estava lá mas de quem nós éramos quando estávamos lá"...
No meio deste amontoado de coisas vividas, existe uma coisa que me faz muita falta... Eu... Como eu era nesses períodos, dos sonhos e anseios, da alegria que vinha de dentro de mim... Todo mundo passa, só a gente fica! E eu fiquei lá, na plataforma de embarque, pouco antes dessa vida de agora...
Não me arrependo da minha vida (de algumas coisas sim, e muito), pois ela formou meu caráter, me tornou quem sou... Ao menos essa forma endurecida de mim...
Quando olho o que vivi, via que sempre sobrava "uma coisa boa", mas não conseguia definir o que era... E entendo agora que o que sobrava de bom era EU...
A vontade que senti agora era de me dar um abraço bem forte, demorado e dizer pra mim: "Ei, você é uma ruína bonita... Mesmo que o mundo tenha destruído suas paredes"...
No fim ainda sou incapaz de fazer o mal gratuitamente, de me vingar, de desejar o mal... Cada um pagará suas dívidas com Deus no fim dessa "série"...
Talvez essa seja a beleza das minhas ruínas... A resiliência...
Não consegui voltar a ser eu ainda, mas cada dia chego um pouco mais perto...
Eu não fiz "papel de vítima", eu fui vítima, e de muitos algozes, e ainda assim não me tornei um deles...
Não me orgulho de ainda ser como sou, mas me orgulho de ser quem eu sou... E eu nunca serei como os que me feriram...
É, talvez esse seja o caminho mais bonito... Ser caco de um vidro que fora destruído, e ainda assim, não cortar ninguém...
Minha bonita "ruína"...
Com afeto, Eu!